terça-feira, 1 de setembro de 2015

Fogo, terra, ar e água

Existem 4 elementos dentro de mim Aquele que habita um corpo. Forte, vigoroso, feito para aguentar maremotos, tufões e rajadas de vento. Um corpo atlético e flexível que precisa de movimento para se sentir vivo.
Faz meus  sentidos apurados, com uma presença física marcada.
Essa  é minha parte terra. Terra com cheiro de chuva.
Ela anda escondida dentro de mim. Sem energia, ou vigor. Diria até: abafada.
Há a pessoa cabeça. Pipa, avoada. Que vive no terreno do pensamento. Se alimenta da imaginação. Essa é a que domina minha vida desde sempre. Nasci sendo só ela. Desenvolvi as outras ao longo da vida, por pura necessidade.
Minha cabeça não para, nem quando estou dormindo. Sou assim desde criança. As vezes a noite exercitava meus sonhos, só pra não perder o fio de alguma história que me alimentava.
O pensamento me alinha, me bota no prumo, me liberta. É nele que me identifico, que me sinto eu.
Essa minha parte etérea, habita no corpo por imposição planetária.
Poderia pairar apenas. Sua existência precede o corpo.
Essa mulher é ar. Pode ser brisa, vento ou tufão.

Há aquela que nasceu da necessidade de ter uma identidade. De precisar ocupar um lugar no mundo. Aquela que aprendeu a se relaciona. A pessoa capaz de criar vínculos e de fazer dessa, uma habilidade tão poderosa, que a sustenta.
Ela que sabe costurar emoções e que habita  nesse território do que a gente vira depois que cresce!
Aquela que a gente diz  ser no mundo: Eu sou a psicóloga. A médica de segredos. A que vai de carona na emoção alheia. Eu sou co piloto do processo de vida dos outros.
Meus pacientes: Pessoas com coragem suficiente para mergulharem sem seguro, nem paraquedas nessa aventura que é desvendar-se a si mesmo!
Essa mulher é água. E ela sempre encontra o caminho pro mar!

Há ainda uma delas que nasceu faz pouco tempo. É a mais jovem de todas!
Guerreira, feroz e por vezes um excesso. Excesso de tudo: amor, apego, proteção, orgulho.
De todas é a mais desmedida. A que sem dúvida não encontrou o tom, a medida.
Ainda não sabe ser no mundo, e talvez jamais saberá. Sofre se presa e piora se liberta.
Nasceu paradoxal e essa é sua verdadeira natureza.
Essa mulher é fogo. Um fogo que aquece mas pode queimar. Um elemento masculino, numa função feminina. Um hibrido de criador e criatura, dançando numa mesma figura. : essa mulher é mãe.
Meu desafio  é juntar as quatro numa mesma pessoa. Deixar a pipa voar, criar, testar o universo das artes, ter novos desafios, mas que ela more num corpo com tônus, forte e flexível para transitar nas quatro linhas com desenvoltura e elegância.
Preciso ser mãe: estar presente, educar, amar e acolher. Participar. Quero ver de perto meus filhos crescerem fortes e aptos para felicidade.
Quero continuar psicóloga e estar junto  daqueles que me deixam entrar num terreno tão valioso quanto seu  universo interno.
Quero enfim, juntar os 4 elementos e me sentir uma só!

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