Confesso que tive certo receio de escrever sobre isso. Primeiro, porque escrever após dois textos lindos, abrangentes, profundos e que ainda por cima se entrelaçam gera uma expectativa nas pessoas para um grand finale que vou desde já avisando que não será atingido. Segundo, porque nenhum homem se sente muito à vontade para discutir sobre esses dois assuntos privadamente, quanto mais falar abertamente nesse espaço democrático de idéias. Entretanto, abrirei a caixa preta masculina e farei alguns comentários sobre os dois maiores medos dos homens.
Posso atestar que os dois maiores medos dos homens são: broxar e ser corno. Pode dar uma risadinha e achar que estou sendo frívolo, mas acredite, não existe medo maior no mundo para nós. É claro que nos preocupamos com nossos filhos, mulheres, parentes, empregos, inflação, futebol, mas, MEDO mesmo, esses dois são os maiores.
No dicionário, broxar é descrito como perder, ocasional ou definitivamente, a potência sexual, e também pode ser empregado com o significado de perder o entusiasmo, desanimar. Para nós, homens, broxar está diretamente relacionado à impossibilidade de colocar em prática o maior símbolo da força masculina: a penetração.
O homem que broxa é ferido na sua masculinidade pela diminuição ou perda da capacidade de ereção. E ele tem que enfrentar pessoalmente esta realidade: a concretude de um possível e assustador estado de coma ou até morte de seu estandarte, representante do seu poderoso falo. O falo que manda e desmanda: em casa, no trabalho, no campo de futebol. O medo da broxada, impossível de se esconder, persegue cada homem desde que idealiza a primeira relação sexual genital. Pois o homem pode passar a ter o seu pênis, o poderoso suplente de seu falo, apenas como uma broxa na mão, a broxa mole de um pintor passando tinta na parede branca!
As desculpas apresentadas são várias: se a mulher é baranga, o cara broxa. Se é aquela gostosa que ele sempre sonhou em comer, fica nervoso e broxa. Se é a esposa de anos, não tem mais tesão, broxa. Se pular a cerca, bate o peso na consciência e na hora H, broxa. Se bebeu muito, broxa. Se bebeu pouco, fica tímido, broxa. Se é um velho broxa, broxa. Se a calcinha for bege e sem costura, broxa. Se ainda assim não se enquadrou nas opções anteriores quem te derruba é a camisinha.
Por outro lado, alguém já viu bicho broxar? Já ouviu falar em cavalo garanhão com disfunção erétil ou cachorro meia-bomba? Bicho não broxa. E se o que nos diferencia deles é o fato de sermos racionais, é razoável supor que o ser humano broxa com razão, por causa da razão. Em outras palavras: penso, logo broxo.
E por isso não se pode ficar indiferente que na maior parte das vezes, o problema é nosso e não tem nada haver com a mulher que é somente cúmplice da perda de uma batalha. Eu que já passei por isso procuro não fazer tempestade em copo d’água, apenas, avalio as circunstâncias em que ela se deu. Da parte feminina, a colaboração fundamental fica a cargo da paciência e da renovação constante da autoconfiança do parceiro. A nossa situação de fragilização quando convivemos com a impotência ainda que esporádica pode criar novas visões para o relacionamento, afinal de contas, sexo é para ser feito no mínimo a dois.
E o medo de ser corno? Acredito que antes de tudo é uma questão cultural. Este comportamento existe também em animais. A poligamia é comum no reino animal, e nesse caso é mais comum o macho ser polígamo do que a fêmea. A origem disso é que o homem quer ter a certeza de que ele é o verdadeiro pai dos seus filhos, e não quer criar filho dos outros. Fora isso existe a exigência social de que todo homem seja capaz de agradar sua mulher sexualmente. Então, se o homem é traído, supõe-se em primeira mão que ele foi incapaz de satisfazê-la sexualmente, o que nem sempre é verdade.
A traição da mulher abala valores essenciais à masculinidade. O desempenho sexual e até mesmo financeiro e a atuação do homem ficam em xeque. Aquilo que nos faz sentirmos homens é repentinamente solapado. A traição não fere apenas o orgulho de macho, mas faz com que na maioria das vezes nos sintamos fracassados. Nessa avalanche de sentimentos, o amante ou o cúmplice não é visto só como rival, mas transforma-se em alguém que não conseguimos ser. O homem traído tende a se comparar com o outro para ver quem é melhor, e nessa medida de forças entra até o tamanho do pênis, símbolo de potência. Uma vez colocado o par de chifres, há de se fazer uma distinção entre o corno manso e o corno traído. O sentimento do corno traído foi sintetizado acima. Na minha concepção o corno autêntico é manso e suave. O indivíduo que se descobre representante dessa categoria e parte para agressão, separação e chilique, deixa imediatamente de pertencer a ela. Isso porque se o sujeito toma atitude contrária a manutenção de sua condição, ele passa automaticamente para a categoria de simples traído; Por outro lado, o homem que desconhece pertencer a categoria dos cornos, não é. O verdadeiro corno manso sabe e se mantém numa fingida ignorância e quando alguém tenta alertá-lo ele disfarça como se o assunto não fosse com ele. Curioso é que tanto o traído como o corno manso têm a mesma fonte de estraga prazeres e por motivos distintos: o sujeito comborço. Mas esse é um outro assunto...
Macho de Respeito
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terça-feira, 1 de julho de 2008
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