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terça-feira, 20 de maio de 2008

Sapos e Princesas


Só consegui ser feliz quando desencanei dessa história de príncipe encantado.
Quando me formei em psicologia minha monografia era uma tentativa tosca de entender o desejo feminino, muita audácia minha tentar responder uma questão que nem o Freud havia conseguido: o que quer uma mulher?
Na tentativa de elaborar meu próprio desejo, saí em campo com uma câmera na mão a procura de mulheres de classe média que me ajudassem a entender o que uma mulher por volta dos 30 anos está buscando.
Foi sensacional! Ao falarem da vida afetiva não se davam conta de que estavam buscando o homem idealizado. Se estavam solteiras era por que não havia pintado o cara certo ainda. E lógico o cara certo tinha todo um perfil, uma descrição, um ideal. Todas eram unânimes em dizer que não acreditavam mais em príncipe encantado, mas isso não era inteiramente verdade. É mais ou menos como dizer que não acredita em papai Noel, mas continuar colocando a meia na lareira, quem sabe se assim ele aparece!
Eu mesma me encaixava neste perfil. Era super emancipada, moderninha, independente, mas lá no fundo acreditava que uma paixão aterradora fosse cruzar meu caminho, e teria certeza naquele momento que o homem da minha vida havia enfim resolvido aparecer.
Seria um encontro mágico, olho no olho, um beijo incrível, e lógico aquela certeza irreparável de que nada no mundo me completaria mais. Assim alguns homens passaram pela minha vida. Alguns com intensidade demais, outros com pegada de menos, mas a perfeição, não. Se pudesse fazer um Frankenstein de todos eles aí sim teria um homem ideal!
Até que um dia aconteceu uma coisa muito curiosa. Eu já namorava fazia tempo mas reservava minhas fantasias a rostos desconhecidos, a personagens Mel gipsinianos, até que o rosto do meu namorado começou a ocupar minhas fantasias. Achei que era fase, que ia passar, mas não passou, então me casei com ele.
Só então percebi que quem transforma sapo em príncipe é princesa e eu definitivamente não tinha a menor vocação para fazer donzela em a puros!