Andamos pra frente olhando pra traz. Se traçarmos uma reta do passado para o futuro veremos que andamos em direção ao futuro mas estamos de costas para ele. Tipo Michael Jackson dançando break.
Nosso olhar está voltado para o caminho que percorremos e não para o que iremos percorrer. Quando estamos vivendo uma situação nova, onde buscamos suporte? Nas situações que já vivemos.
Muitas vezes esquecemos de atualizar os arquivos e reproduzimos comportamentos que funcionaram no passado, mas que estão ultrapassados para serem usados no aqui e agora.
Nossas defesas são criadas mais ou menos assim: Em algum momento precisamos nos fechar para não sucumbir a uma dor, e aí descobrimos que sobrevivemos. Bem até!
Daí em diante nosso cérebro arquiva: “se me fechar, não faço contato com a dor”, e transforma esse mecanismo em solução universal.
Esquecemos que junto com a dor ficam de fora outros sentimentos também. É impossível isolar um só.
A dor é sempre proporcional ao amor. Se amo muito, quando perco, dói muito. Se não amo ninguém, não sentirei dor quando partirem. Mas não conhecerei o amor, o prazer, a troca.
Quando olhamos para o futuro vemos uma tela em branco. Isso muitas vezes dá medo, gera angústia, ansiedade, pânico.
Eu gosto de brincar com a possibilidade de me reinventar, poder ser quem eu quero, sem tantas manias e neuroses. É difícil desapegar de velhos hábitos.
Não tenho compromisso nenhum de ser a mesma o tempo todo. Me permito criar a mim mesma. É bom demais se surpreendida por um novo sentimento e não ter medo de compartilhá-lo. Antes tinha vergonha de dançar, hoje danço mesma que sozinha, antes não ia com a cara de fulalo, hoje somos grandes amigos, ontem eu odiava novela, bom, continuo odiando.. quem sabe um dia, assisto uma de cabo a rabo, feliz da vida!
Afinal, pra onde vai nossa capacidade criativa quando nos tornamos adultos sérios e comprometidos com a caretice do mundo?
Temos que trabalhar se quisermos sobreviver, mas quem foi que disse que trabalho é sinônimo de frustração, sacrifício, blá, blá, blá...
Fica aqui a sugestão: quando se olhar no espelho pela manhã, descubra um novo ângulo seu, uma expressão nova, uma careta, um personagem. Vamos pintar uma tela que possa ser reinventada sempre que tivermos vontade!
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
O Novo, O velho e o Criativo
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