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sábado, 23 de agosto de 2008

Paixão declarada

Declarar uma paixão é algo difícil, complexo e dá um super medo. Mas pode ser extremamente libertador para quem está apaixonado, mesmo não sendo correspondido. O medo da rejeição é o único empecilho para esse ato de bravura emocional. Não é pouca coisa, eu sei. Fugimos da rejeição e do abandono como o diabo foge da cruz! Levar um "toco" é péssimo, machuca, dá o maior bode, mas do chão a gente não passa, né? Como dizia Vinícius:"quem nunca sofreu por amor, não sabe o que é ser feliz". E optar pelo medo numa hora destas pode ser a pior escolha.
Declarar paixão é ato de coragem. No mínino, surpreenderá o outro. Verbalizar seu amor não é se fragilizar perante o ser amado, não é ser um carente louco à esmolar amor, muito pelo contrário, é ser dono de seus desejos e anseios. É ser generoso o suficiente para saber compartilhá-lo com quem lhe provocou tal sentimento, independente de resposta. É ser o senhor do seu amor, e não vítima dele.

Se apropriar de sua paixão, é saber que o outro, merecedor ou não, é mero coadjuvante nessa escolha, já que foi ele quem apertou o botão da paixão. Mas o botão é seu e a paixão também. Isso só revela o quanto você é capaz de amar e de se apaixonar. Se por acaso a paixão não for recíproca, já valeu! Você sentiu o amor correr nas veias e se deu conta do que povoa sua imaginação. Se Paixão é tela em branco, é preciso de distanciamento. Paixão é projeção dos nossos desejos e no mínimo serve pra gente perceber o que nos encanta e o que nos seduz. Por isso já vale, porque ali estará refletido o seu ser enamorado, o que há de mais bonito e amoroso em você.

Hoje, esse foi um dos temas de consultório. Quando cheguei em casa fui escutar um CD que acabei de ganhar. Lá estava uma música, intitulada: "Declaração de Amor", e que fala justamente disso.
A música é fresquinha e ainda não foi lançada, mas o autor é O Destemido Walace, um velho conhecido aqui do Blog.
Na música ele declara sua paixão de forma a se libertar do ser amado. Linda música, linda letra. Super Inspirada. A melodia nos leva por esse caminho de libertação. Uma vez explicitado tal sentimento, o amor cria asas e liberta!
Quem quiser escutar é só ir no www. Myspace.com/destemidowalace.
Aí em baixo segue a letra, só pra dar um gostinho:

“Declaração de amor”

Meu amor,

Pro que eu vou te falar
Não espero nada em troca
Nenhuma palavra sua
Não preciso de resposta

Nós já conversamos
Já entendi o seu ponto de vista
Pra você eu sou vítima do tempo
Pois este não era, o seu momento

Te procuro e declaro
que estou apaixonado
E me dizem: é suicídio e
eu digo estou aliviado!

Eu não tenho pudor
de me declarar
Tenho orgulho do que sinto
Mesmo que de você
Eu não possa me orgulhar

Eu formalizo meu amor
Não pra você se gabar
Mas por respeito a minha história
Que em meu último dia eu vou relembrar

Nota do AUTOR DA LETRA:
A musica é cantada do começo ao fim, sem interrupções de solo ou convenções intencionando uma declaração ininterrupta.
A bateria simula a batida de um coração, que até mudar o dedilhado da Mão direita é dobrado no tempo pra dar ansiedade.
O merengue entra no final, pra dar a sensação de alívio, de missão cumprida, daquele cara que sabe que já perdeu, mas que perder não é problema, e que uma vez feita a declaração do que ele sente, ele esta livre!

Vale a pena, escutar a música, ler a letra, se apaixonar, e lógico criar coragem pra se declarar!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Fantasias

Fantasiar é fundamental, pelo menos pra mim. Na astrologia o planeta que representa o amor erótico é o mesmo que representa a fantasia, indicando que não existe paixão sem imaginação. Faz sentido, pois a paixão é um tanto o ser amado e um tantão de projeção. É quase sempre tela em branco, projeção dos nossos desejos.
Vamos pintando o outro ajustando à imagem daquilo que queremos ver. A paixão é quase um photoshop da realidade, nela vivemos o que queremos, com quem queremos. A paixão filtra os defeitos e apaga as imperfeições.
O desafio é trazer prá relação, depois que a paixão se aquietou, que o frio na barriga deu lugar para o morno, aconchegante e às vezes tedioso sentimento de estabilidade, esse sentimento que esquenta a alma e amolece o corpo.
Acredito que se conseguirmos formar um bom repertório de fantasias é só “puxar o arquivo” quando for necessário. Quando a relação começa a desbotar, ler os contos eróticos da Anais Nin pode ser de grande ajuda. Ela colore como ninguém corpos, suores e sentimentos.
Às vezes o bacana é compartilhar a fantasia, falar para o parceiro as loucuras que passam pela cabeça. É preciso criar um espaço para que isso aconteça, caso contrário o outro pode levar um susto e o tiro sair pela culatra. Ao invés de esquentar a relação o outro pode “panicar”, e se distanciar.É preciso sentir-se cúmplice na fantasia, se não como será ouvir que foi gostoso imaginar que havia alguém olhando, ou até participando?
Fantasia transformada em realidade pode ser extremamente nociva para a relação. Uma menina que realiza a fantasia de seu namorado de vê-la beijando outra menina, pode estar correndo vários riscos. De gostar de beijar meninas, de curtir o lance a 3 mais do que a 2, de pirar na sua própria identidade sexual, de ter um namorado loucamente ciumento na sua cola e por aí vai.Mas, viver é correr riscos não é mesmo? Não dá pra se jogar no precipício sem espírito de aventura!
Conheço o caso de uma moça que resolveu explorar as fantasias da sua relação. Colocou a roupa mais sexy e atrevida que tinha e foi pro calçadão de Copa esperar o marido passar.Ela ia ser a puta dele naquela noite. Em fantasia era sensacional, mas na real, quase levou porrada de travesti, pois desavisada foi parar no ponto errado!
Gosto de pensar que fantasia é fantasia, e que isso é o bastante, já aquece a alma e alimenta o componente erótico da relação. Se for compartilhada melhor ainda, pois entre quatro paredes vale tudo.
Anais Nin tem uma frase maravilhosa que fala: “a vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo”. Fantasiar é da nossa natureza, compartilhar é um delicioso ato de coragem e transformá-las em realidade não é para desavisados!