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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ciúme e Possessividade

Ciúme e posse são a mesma coisa?
Sem dúvida, são irmãos. Mas, nascem de psicodinâmicas diferentes.
Ciúme é touro, posse é escorpião.
Ciúme é: “eu vi primeiro e ninguém tasca!”
Posse é domínio.
No ciúme, eu sou dono do corpo do outro e me mordo, enlouqueço, se alguém quer pegar só um pedacinho.
Na posse eu sou dono da vida do outro e fico louco se algo foge ao meu controle.
Ambos são territoriais. O ciumento sofre pelo passado, presente e futuro do parceiro. Por quem ele já beijou e por quem ele imagina que o outro beijaria.
O possessivo precisa sentir que domina seu território, sabe os horários e costumes do parceiro. Que horas chega, sai, dorme e come.
O ciumento acha que todo mundo tá olhando pro amor dele. É vítima da sua própria imaginação.
O possessivo só começa a ficar nervoso se algo foge do seu script. 15 Minutos de atraso é o tempo limite para o possessivo segurar a onda. Se o cara sempre chega da pelada as 10, Cacete! São10:30 e ele ainda não aparceu? É o início de um furacão e o outro vai sofrer as conseqüências.
Ela anda de um lado pro outro, parece tigre enjaulado. Olha o celular a cada 10 segundos e começa a torcer em segredo pra alguma coisa ter acontecido que justifique esse FDP, não ter aparecido até agora!
O ciumento pega pelo braço, chora, faz escândalo. Perde a linha, se humilha.
O Possessivo é frio, vingativo, estrategista. A dor que ele sentiu por se perceber fora do controle será repassada para o parceiro com juros e correção monetária.
Não acredito que ciúme seja amor. Quem ama cuida, não quer pra si. Porém, não recrimino. Num certo grau acho até gostoso. Acredito que se eu sou capaz de amar alguém assim, outra pessoa também será, e isso mantém minha relação aquecida.
Se o ciumento encontra pela frente algum inseguro que se alimenta de seu ciúme, tá feita a desgraça! Aí se estabelece a tal relação sado-masoquista, onde um se alimenta da dor do outro. Nesse caso deixa de ser relação, vira doença.
Ciúme e possessividade, ministrados com grau de liberdade, pode ser bacana, mas se for mal medido, sufoca o amor. Uma pegada mais forte no braço, pra dar uma situada na moça que tá muito soltinha na pista de dança, pode ser engraçado, mas se o cara ficar nessa paranóia a noite toda estraga a festa, né? E se isso se repete em toda a festa, o que azeda é a relação.
É a tal da pimenta, na medida é uma delícia, colocar demais, estraga o prato!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Plural Masculino

Sei que hoje serei apedrejada por algumas mulheres e odiada por outras. Serão raras aquelas que me darão razão. Mas vou correr o risco!
É com certa freqüência que escuto dentro e fora do consultório a reclamação de como os homens são egoístas. A definição de egoísmo é a de ele só faz o que quer! As frases mais corriqueiras são: “ ele é muito egoísta, sai do trabalho, vai beber chope com os amigos e eu fico que nem uma idiota em casa esperando!” ou “hoje é dia daquele maldito futebol, o pior é que depois tem BG!”ou, “O Bracarense é a segunda casa dele! Eu queria botar uma bomba naquele lugar!”
Bom, a reclamação sempre gira em torno do homem ter uma atividade que não inclui sua parceira e pior, que lhe dá um puta prazer sem que ela esteja .Fato é que o homem consegue fazer planos pensando no singular, ao contrário de suas parceiras que parecem sempre pensar no plural.
Agora, a pergunta que não quer calar: egoísta é aquele que faz o que quer, ou é aquele que quer que o outro faça o que ele quer? Ou melhor, egoísta é aquele que está em dia com o seu desejo, aquele que faz valer sua vontade? Ou o que deixa de fazer o que quer para que o outro também ceda?
Eu fui vítima desse comportamento contaminado durante anos. Ainda arde na memória um dia, em terapia, que eu reclamava como me sentia abandonada por ele chegar em casa feliz da vida depois de uma pelada emendada num chopinho. Isso me deixava louca e lá ia eu gastar meu tempo de terapia reclamando do egoísmo do meu namorado que não me dava um único telefonema enquanto o jogo rolava.
Meu terapeuta, um ser deste outro sexo, mandou então na lata: Mônica, o que você têm é inveja! Tá é morrendo de inveja dele! Dei uma risada de raiva e retruquei que jamais sentiria inveja de ficar que nem uma babaca correndo atrás de uma bola e depois ficar horas desfiando sobre o tema, estilo melhores momentos!
Foi então que me dei conta que sentia uma mega irritação no fato dele se divertir tanto sem mim. E que não havia na minha vida, pelo menos naquele momento nada que me preenchesse tanto assim. Estava sim com inveja! E não adiantava, pelo menos pra mim, fazer aquela cena que muitas mulheres fazem de reunir as amigas numa mesa de bar enquanto os namorados jogam ou assistem um jogo. Sempre tive horror de reger minha vida em função de alguém, e se quisesse sair com as meninas, que fosse para estar com elas e não para ocupar o tempo sem meu homem!
Fui percebendo ao atender mulheres e homens, que nós mulheres não temos essa alma grupo, a não ser na adolescência, claro! Não sentimos esse prazer de viver em bando, jogar uma boa pelada, e tirando raríssimas exceções, nunca conheci uma mulher que se mandasse para Buenos Aires para ver o Fluminense jogar.
Meus pacientes homens chegam a desmarcar terapia em dia de jogo. Quando não é futebol, é uma banda ou a galera do bar. Conheço figuras deliciosas que pertencem a uma confraria butequeira, com direito a camiseta com nome de seus membros.
Muitas mulheres querem ser a prioridade na vida de seus homens, querem ser suas musas, caso contrário sentem-se ameaçadas e assim o amor esfria.Porém, perceber que os homens distribuem suas paixões ao invés de concentrar tudo numa relação é um ensinamento que o sexo oposto nos dá de graça. Eu só consegui entender isso quando me apaixonei pela psicologia clínica. Trocar com um paciente que me permite entrar de verdade em seu mundo não tem preço. Interagir, descobrir novas possibilidades de comportamento, ser companheira de viagem nessa busca pela felicidade é presenciar um maravilhoso milagre humano.
Meu tesão é o ser humano e todas as possibilidades que temos e muitas vezes não aproveitamos. Aprendi com meus namorados, meu terapeuta e principalmente com meus pacientes, a distribuir minhas paixões. Hoje saio encantada de algumas sessões, extasiada da prática de yoga e me vejo tendo paixonites pelos meus amigos.
Ter várias fontes de prazer é sem dúvida um bom antídoto para o tédio e para frustração.
Meninas, fica aqui minha sugestão: ao invés de brigar, vamos aprender com eles!