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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Desejo x Necessidade




Você prefere estar com alguém porque precisa ou por que quer?
A resposta parece óbvia: mas como o neurótico é por definição aquele que não enxerga o óbvio, muitas vezes opta por relações onde se estabelece o vínculo da necessidade e não do desejo.
Vejo tanto isso acontecer que quase me soa normal. Talvez até seja normal, mas nada me convence que seja saudável.
Quando a costura da relação passa pela necessidade a infelicidade é companheira contínua. Se eu preciso do outro pra não fazer contato com meus buracos, carências e esquisitices,coitado dele e de mim também!
Quando eu sou dona do meu desejo e sei o que eu quero não cobro do outro que ele retribua á altura. Estou ali por que quero estar e se ele não me satisfaz plenamente tenho liberdade de escolha. Posso sair e procurar em outros canteiros. Mas se ao invés disso, cismo que o sujeito me deve amor, só por que eu amo, me deve gratidão por tudo que eu abro mão para estar com ele, aí começa a encrenca.
É difícil à beça esse negócio de relacionamento! Mas acredito que o mais difícil é domar nossas expectativas em relação ao parceiro. Feito isso, temos uma chance enorme de perceber que o outro não está ali para atender minhas expectativas e nem eu as dele. É fantástico perceber o quanto isso é libertador.
Já ouvi uma vez que: “a expectativa é o passo mais rápido para frustração” e fiz desta frase um mantra. É a mais pura verdade!
Se domarmos nossa fera interior: essa fome louca de amor e, buscar nossa nutrição emocional fazendo contato com tudo que nos apaixona, o outra entra numa perspectiva diferente, ganha um tamanho mais real e, assim é mais fácil ser feliz.
Boa semana.


Obs: Esta é a carta FORÇA do tarot. Uma mulher nua domando um leão. Somos nós em contato com nossos instintos mais primitivos. Apesar de entregue, ela está com as rédeas nas mãos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Encaixe Afetivo

O amor. Ah, o amor!
Interessante como a gente tá acostumado a pensar no amor como algo mágico, como se tivesse alguém destinado pra nós em algum lugar do planeta. Só precisaria de um empurrãozinho do destino pra cruzar com o sujeito e imediatamente nos dois saberíamos que fomos feitos um para o outro.
Balela. Não acredito nisso! Não acho que somos metade em busca da outra fatia da laranja. Gosto de me sentir inteira o suficiente pra dividir e não uma metade ambulante a procura de alguém pra me preencher! Acho que o amor é algo construído, e o tal cara que cruzamos ali na esquina, dependendo da fase que eu esteja pode ser uma tremenda roubada. Se Você tá numa fase carente meio tristonha tenha certeza que a escolha vai ser um equívoco. Não é falta de romantismo não, eu vou explicar.
Acho que temos uma espécie de encaixe. Se já estamos num momento bom de auto-conhecimento e sabemos exatamente o que estamos procurando, quais são os defeitos toleráveis e os intoleráveis, aí tá bacana pra encontrar alguém que vai alimentar o que há de melhor em mim. Mas, se ao contrário, não sei nem direito quem eu sou, do que gosto, o que priorizo. Vou cruzar com um cara que tem pinta de bacana mas, que pode ser uma verdadeira roubada e me atracar com o sujeito como se ele fosse a última coca cola do deserto. Paixonite doença. Insegurança, baixa estima, enfim, despertar o que de pior existe em mim! Ressaca emocional!
Quem nunca viveu uma “paixão” assim que atire a primeira pedra!
Acho mesmo que quanto mais a gente se investigou maior a chance de fazer escolhas afetivas assertivas. Conhecemos melhor nossos encaixes. Os certos e os errados!
Pra "ter a sorte de um amor tranquilo” nada como aguçar o olhar, primeiro interno e depois correr pro abraço.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Plural Masculino

Sei que hoje serei apedrejada por algumas mulheres e odiada por outras. Serão raras aquelas que me darão razão. Mas vou correr o risco!
É com certa freqüência que escuto dentro e fora do consultório a reclamação de como os homens são egoístas. A definição de egoísmo é a de ele só faz o que quer! As frases mais corriqueiras são: “ ele é muito egoísta, sai do trabalho, vai beber chope com os amigos e eu fico que nem uma idiota em casa esperando!” ou “hoje é dia daquele maldito futebol, o pior é que depois tem BG!”ou, “O Bracarense é a segunda casa dele! Eu queria botar uma bomba naquele lugar!”
Bom, a reclamação sempre gira em torno do homem ter uma atividade que não inclui sua parceira e pior, que lhe dá um puta prazer sem que ela esteja .Fato é que o homem consegue fazer planos pensando no singular, ao contrário de suas parceiras que parecem sempre pensar no plural.
Agora, a pergunta que não quer calar: egoísta é aquele que faz o que quer, ou é aquele que quer que o outro faça o que ele quer? Ou melhor, egoísta é aquele que está em dia com o seu desejo, aquele que faz valer sua vontade? Ou o que deixa de fazer o que quer para que o outro também ceda?
Eu fui vítima desse comportamento contaminado durante anos. Ainda arde na memória um dia, em terapia, que eu reclamava como me sentia abandonada por ele chegar em casa feliz da vida depois de uma pelada emendada num chopinho. Isso me deixava louca e lá ia eu gastar meu tempo de terapia reclamando do egoísmo do meu namorado que não me dava um único telefonema enquanto o jogo rolava.
Meu terapeuta, um ser deste outro sexo, mandou então na lata: Mônica, o que você têm é inveja! Tá é morrendo de inveja dele! Dei uma risada de raiva e retruquei que jamais sentiria inveja de ficar que nem uma babaca correndo atrás de uma bola e depois ficar horas desfiando sobre o tema, estilo melhores momentos!
Foi então que me dei conta que sentia uma mega irritação no fato dele se divertir tanto sem mim. E que não havia na minha vida, pelo menos naquele momento nada que me preenchesse tanto assim. Estava sim com inveja! E não adiantava, pelo menos pra mim, fazer aquela cena que muitas mulheres fazem de reunir as amigas numa mesa de bar enquanto os namorados jogam ou assistem um jogo. Sempre tive horror de reger minha vida em função de alguém, e se quisesse sair com as meninas, que fosse para estar com elas e não para ocupar o tempo sem meu homem!
Fui percebendo ao atender mulheres e homens, que nós mulheres não temos essa alma grupo, a não ser na adolescência, claro! Não sentimos esse prazer de viver em bando, jogar uma boa pelada, e tirando raríssimas exceções, nunca conheci uma mulher que se mandasse para Buenos Aires para ver o Fluminense jogar.
Meus pacientes homens chegam a desmarcar terapia em dia de jogo. Quando não é futebol, é uma banda ou a galera do bar. Conheço figuras deliciosas que pertencem a uma confraria butequeira, com direito a camiseta com nome de seus membros.
Muitas mulheres querem ser a prioridade na vida de seus homens, querem ser suas musas, caso contrário sentem-se ameaçadas e assim o amor esfria.Porém, perceber que os homens distribuem suas paixões ao invés de concentrar tudo numa relação é um ensinamento que o sexo oposto nos dá de graça. Eu só consegui entender isso quando me apaixonei pela psicologia clínica. Trocar com um paciente que me permite entrar de verdade em seu mundo não tem preço. Interagir, descobrir novas possibilidades de comportamento, ser companheira de viagem nessa busca pela felicidade é presenciar um maravilhoso milagre humano.
Meu tesão é o ser humano e todas as possibilidades que temos e muitas vezes não aproveitamos. Aprendi com meus namorados, meu terapeuta e principalmente com meus pacientes, a distribuir minhas paixões. Hoje saio encantada de algumas sessões, extasiada da prática de yoga e me vejo tendo paixonites pelos meus amigos.
Ter várias fontes de prazer é sem dúvida um bom antídoto para o tédio e para frustração.
Meninas, fica aqui minha sugestão: ao invés de brigar, vamos aprender com eles!